José Arnaldo de Oliveira, sociólogo e jornalista

 

Tenho 46 anos, sou solteiro e do signo de peixes. Desde garoto as palavras me fascinavam, tanto em sua função descritiva como na poética. Antes da escola ouvia estórias desde os três anos de idade, no colo da minha mãe Helena. Muitos dos livros eram trazidos pelo meu pai Antonio em suas andanças de bicicleta ou lambreta na vida de metalúrgico.

 

Aos sete anos ganhei um presente como melhor aluno da classe de Eunice Moraes, na escola pública Cecília Rolemberg Porto Guelli. A copa mexicana era vista na televisão a cores da casa de meus avôs, Benedita de Jesus e Evaristo Travalim, pois os filhos tinham apenas o aparelho preto e branco que mostrara a chegada do homem à Lua. Ah, o presente era um livro chamada “A Vingança dos Peixes”.

 

Aos dez anos outra professora, Adail Lenhaioli, gostou de uma redação que fiz sobre a experiência de ser guarda de trânsito por um dia em aula prática no largo da Catedral. Foi meu primeiro texto publicado, no caso no Jornal de Jundiaí.

 

Aos onze ou doze anos outra professora, Fernanda Milani, nos levou a uma das edições do Salão Jundiaiense de Artes. Foi minha primeira experiência psicodélica. Eu gostava de quadrinhos – meu tio Sérgio me deixava com uma pilha de patos donaldis ou turmadamonica em uma cabana de caveira pintada na porta. Mas ver tridimensionais as idéias dos artistas, usando recursos simples como fios pintados em um painel de pregos, era algo inesperado.

 

Nem lembro exatamente com quem estava conversando sobre o gosto da liberdade, representado por um pastel da Paulicéia, quando pais e professores localizaram o grupo desgarrado da turma.

 

Quando ganhei a primeira vitrola, lá pelos treze anos, pensava que rock pesado era Elton John cantando “Crocodile Rock” e música romântica era os Carpenters cantando “Sometimes”. Eu vinha de ouvir música caipira e brega no rádio ou as canções das festas juninas comemoradas depois do terço.  

 

As descobertas foram muitas, passando pelo primeiro emprego, o primeiro festival, o primeiro porre, a primeira cachoeira, o primeiro bordel, a primeira motocicleta e o primeiro poema (não necessariamente nessa ordem). Pensei em química, participei de curso de torneiro mecânico, tentei ser sócio de um bar de música ao vivo. Um marco dessa fase foi o Groovy´s, ali no largo do Quartel.

 

Então, aos 20 anos, comecei a escrever e estudar comunicação. O primeiro jornal era um eco dos grandes bastiões da liberdade na ditadura – o Jornal de 2ª, na fase diária como Jundiaí Hoje, onde estavam nomes como Sandro Vaia, Guilherme Mota, Ademir Fernandes, Paulo Batista... e os novatos como eu, o Flávio Gut e o Adilson Fredo. E mais gente boa que havia lá.

 

Alceu Valença e Zé da Flauta me disseram, em um dos meus primeiros trabalhos, que a inspiração é uma égua desembestada que entra pela casa do pensamento adentro derrubando mesas, canecas, cercas e quintais.

 

Depois trabalhei por uns anos no Jornal da Cidade e, no meio do caminho, fiz um jornal comunitário mensal chamado Jornal Rio Branco – não por acaso na mesma região da cidade onde vivia – com amigos como Edu Cerioni. Em 1988, ganhei até menção honrosa no I Prêmio Fiesp de Jornalismo...

 

Encantado pelo carisma do professor Pedro Fávaro aceitei o convite para assessor de cultura quando foi vice-prefeito na minha cidade. Tentei levar a visão da cultura ampliada, abrindo espaço para misturas de rock pesado e artes plásticas ao vivo e muitas outras coisas – entre as quais a co-produção de Jundiaí para o programa “A Cidade é o Show”, na TV Cultura, foi uma das mais gratificantes. Tudo bem, colocar Skowa e Máfia antes do sertanejo Dalvan também foi uma mistura e tanto.

 

Me demiti em solidariedade ao mestre e trabalhei por uns tempos com assessoria em recursos humanos sobre os processos de reengenharia dos anos 90 antes de passar um tempo nos sítios, colaborando com o Apiário Japy.

 

Reencontrando um dos companheiros de Jundiaí Hoje enquanto participava de um show da banda Osho´s, voltei ao jornalismo por alguns anos em um projeto editorial no Jornal de Jundiaí onde as ações eram orientadas por um “guia da navegação quântica”. Foi uma fase intensa que incluiu a colaboração com o festival Pão e Poesia, registrado por uma equipe do grupo de Betinho, e novamente nos movimentos em torno da Serra do Japi.

 

Debandada a equipe, segui para a Unicamp (a universidade estadual de campinas) onde entrei depois de um estágio em Buenos Aires e um show dos Rolling Stones. A sociologia e a antropologia (e mais um pouco de ciência política) foram um mergulho nas ciências humans. Colaborei com a rádio livre Muda FM e com atividades de pesquisa, extensão e experimentalismo.

 

Em 1996, um dos companheiros ambientalistas, o Marcos, me avisou de um estágio em Manaus. Fui trabalhar por dois meses no Parque Nacional do Jaú, em Novo Airão e Barcelos, conhecendo gente como Muriel Saragoussi, Carlos Muller, Andrew Munchen, Regina Oliveira, Adilson Vieira e Sila Mesquita. E pela primeira vez conheci Marina Silva, uma senadora que estava discutindo a lei de acesso e repartição de benefícios do uso da biodiversidade e conhecimentos tradicionais associados (ainda em discussão).

 

Na volta, fui de carona para a Bahia e presenciei o surgimento da Sociedade Brasileira de Etnobiologia e  Etnoecologia durante o congresso de antropologia.

 

Durante o curso saiu meu primeiro livro chamado História de Jundiaí e Região. Foi para um selo chamado Expo Municipal, onde o editor tentou posteriormente se apropriar do trabalho intelectual. Coisas provincianas.

 

De qualquer forma, no final do curso uma nova proposta desse tipo me levou a defender uma construção coletiva da história no projeto Jarinu Tem Memória, desenvolvido em parceria pelo CMU - Centro de Memória da Unicamp onde fui oficineiro e co-autor nos livros Memória em Movimento e Memória, Patrimônio e Meio Ambiente na Formação de Educadores (organizadores por Margareth Brandini Park para a editora Mercado de Letras).

 

Em 2000, durante o congresso de etnoecologia em Piracicaba (SP), me alinhei com a visão amazônica e fui indicado para a relatoria da consulta da Agenda 21 Brasileira, no Amazonas.

 

Pouco tempo depois, durante uma feira de projetos ambientais no complexo de oficinas de trens da Companhia Paulista, recebi o convite para um projeto de mobilização na região apoiado pela cooperação técnica alemã, a GTZ.  

 

Fizemos um certo barulho pela Amazônia, de Belém a Tabatinga e de Rio Branco a Macapá. Vi um líder Kuikuro da bacia do rio Xingu palestrando em seu idioma, sem tradutores, e ser aplaudido pelo sentido que tinha passado a participantes de um seminário sobre agrobiodiversidade, camponeses vindos de diversas partes do mundo. Aquilo abalou todos os meus conceitos sobre comunicação.

 

No meio do caminho, colaborei com o maior evento sobre a floresta já realizado em São Paulo: a exposição Amazônia.Br, que levou 150 mil pessoas ao Sesc Pompéia, liderada pelo médico Eugênio Scannavino Neto. E com um protesto ao lado dos amigos Xis e Fábio na data ambiental do colégio técnico, em Jundiaí, com máscaras antigases e mensagens nas camisetas.

 

Em 2003 estava como assessor na Rede GTA (Grupo de Trabalho Amazônico), que junta umas 600 entidades populares da floresta, com sua diversidade étnica e cabocla, quando uma cobrança absurda de royalties por uma empresa que tentava privatizar o nome da fruta cupuaçu, abriu a oportunidade de uma campanha contra a biopirataria.

 

Na vitória do ano seguinte, depois de meses de campanha e mais todo o dia-a-dia de uma rede vasta em realidades e demandas, organizei um relato da política florestal no país para um diálogo de ONGs em Quito, no Equador. Ao mesmo tempo, participava por telefone de protestos contra a ameaça de corte de árvores do largo da Bandeira, em Jundiaí. E estreava como colunista de um novo diário local, o Bom Dia Jundiaí, ligado ao grupo Traffic.

 

Os companheiros da Unicamp também reapareceram no norte em momentos como a multiplicação dos Pontos de Cultura, implantado pelo ministro Gilberto Gil. Muito bacana ver que a experiência chega à política paulista em 2009.

 

A morte de Dorothy Stang nos lembrava que o assunto era sério e muitas vezes a democracia enfrenta resistências violentas. Em 2005 estava em oficinas de comunicação apoiadas pela Fundação Friedrich Ebert e muitas outras atividades. Mas os recursos minguaram e, no ano seguinte, eu trabalhava a partir de Jundiaí para organizar com os parceiros distribuídos por vários pontos do país o encontro norte do projeto Rede Brasileira de Agendas 21 Locais. E o jardim zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi nos acolheu como um dos bons encontros daquele ano (o outro, para mim, foi de manejo e certificação florestal).

 

Em 2007 voltei a colaborar com a exposição Amazônia Brasil, que no ano seguinte teve um grande momento com a edição em Nova York (EUA) onde lançamos um belo livro em inglês. E organizei evento com os diretores do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, Adalberto Val, e do Museu Emílio Goeldi, Ima Vieira.

 

Também aproveitei o final de 2008 integrando a equipe técnica do livro Vozes da Floresta, com uma centena de depoimentos de pessoas que conviveram com Chico Mendes, feito pela editora Xapuri.

 

Problemas de saúde dos meus pais me deixaram mais perto nos últimos anos. Em 2009 criei um sítio eletrônico chamado Jundiahy, usando a grafia colonial para difundir a visão de um centro histórico interfluvial. No segundo semestre voltei ao jornalismo diário no mesmo veículo de minha coluna, mas isso deve ser repartido com atividades de pesquisa e sociologia aplicada.

 

E ainda tem a Marina.

Segunda-feira, 27 de julho de 2009

 

SINCRONIAS

Na semana que passou, onde dados da balança comercial confirmaram a China ultrapassando os Estados Unidos nas exportações brasileiras, a cidade de Jundiaí teve um seminário da Associação Brasileira de Logística sobre negócios com aquele país asiático. Em inglês chamam isso de “timing”, mas prefiro o termo sincronia.

Ponto para nossos agentes econômicos.

Por outro lado, a Central Única dos Trabalhadores divulgou estimativas de milhões de reais injetados na economia regional por acordos como de participação dos trabalhadores em lucros das empresas.

Ponto para nossos agentes sindicais.

Coloco esses dois lados com legítimo entusiasmo pela terrinha. Mas também como referências complementares de outras áreas. Como no meio ambiente, onde o uso das microbacias urbanas pode melhorar tanto a gestão como a educação ambiental. Viram o projeto de um dos maiores parques lineares do mundo, ligando sete municípios e a zona leste de São Paulo?

Também cabe lembrar o setor de cultura, onde nosso centro histórico interfluvial (Jundiahy, como no portal da internet) é mais antigo que muitas das cidades que estiveram no Fórum Nacional de Cidades Históricas com a recente Carta de Olinda. 

Esses tópicos também pedem sincronia com as tendências contemporâneas para o trato de riachos e suas matas ciliares como corredores ecológicos e para a valorização da cultura local e suas diversas subculturas e patrimônios materiais ou imateriais.

Mas são mais amplos que seus respectivos setores. Devem ser incorporados por educação, transporte, serviços, desenvolvimento econômico, saúde, obras... E por toda a comunidade.

Talvez em conferências municipais de cultura ou meio ambiente a partir dos bairros até um encontro geral. Com métodos participativos adequados, muitas propostas boas podem surgir dos cidadãos e cidadãs - sem partidarismos.
 
Como nos citados casos de empresários e trabalhadores, buscando metas que apesar de aparentes conflitos beneficiam a economia local. E nesse caso incorporando também aquilo que tem valor sem, necessariamente, ter preço.

Esse nosso sonho de uma cidade ecológica, cultural, urbana, rural, popular, industrial e histórica, tudo ao mesmo tempo e em equilíbrio, é um desafio.

Mas se justifica porque ainda temos tudo isso, uma conquista dos jundiaienses e de sua região que pode continuar no futuro.

A ÁGUA E O CLIMA

 

A reduzida semana que passou teve pontos ambientais na Câmara, com a lei de adesão à Fundação Agência das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí e na Prefeitura, com o anúncio do novo projeto urbanístico para um dos limites do centro interfluvial, o córrego do Mato. O local, onde passa a avenida Nove de Julho, teve a biodiversidade citada pela primeira vez entre seus objetivos.

 

Essa é uma saudável mudança de discurso. Presenciei debates sobre a nova política municipal de recursos hídricos neste ano, no Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Condema), onde a DAE S/A quase tirou essa palavra das funções dos mananciais, nascentes, córregos e riachos. A empresa é uma boa executora, mas o histórico destrutivo de nossas águas urbanas e até mesmo rurais (em casos como no Santa Gertrudes ou no Rio Acima) mostra que a formulação precisa ser mais ampla.

 

O novo projeto do córrego é uma conquista da comunidade, que se expressou no ano passado acima dos partidos. Uma consciência que também cresce aos poucos sobre as mudanças climáticas, onde pesquisas financiadas pela Fapesp devem oferecer novas luzes. E a hora é a reunião mundial de Copenhage, em dezembro, para a qual o dia 24 de outubro terá manifestações livres pelo limite de 350 partes por milhão em todo o planeta. Inscrevi nisso uma singela marcha entre o largo do Fórum e o largo do Quartel, para a qual estão convidados com sua criatividade.

 

Afinal a participação é nossa forma democrática de avançar. A prefeitura promove uma consulta online de sugestões ao orçamento de 2010, que no ano passado chegou a quinhentos participantes. A oposição discute uma lei municipal para plebiscitos, referendos e iniciativas populares que já conta com o apoio da OAB, da Cúria Diocesana e de educadores da Faculdade Anchieta e da Faculdade Anhanguera, entre outras. Fico com o melhor de ambas.

 

É um ovo arriscado cobrar apenas responsabilidade individuais nas coisas coletivas, como notou Dejanira Marquezin em seu mestrado de 2003 sobre a capacitação de professores em Jundiaí ou como fez um jornal televisivo nestes dias em uma reportagem sobre os aposentados que parecia mais uma propaganda de previdência privada. È preciso buscar lucidez e fraternidade para tratar da violência contra o meio ambiente ou entre os seres humanos. Algo que deve estar nas escolas, nos lares, nas mídias, nas instituições e até em suas rodas de amizade.

 

Ficar contente pelas águas, pelas vidas que nela vivem ou que dela dependem (incluindo nossa espécie entre as outras) é um bom começo para as coisas coletivas que também são o patrimônio, a cordialidade, a paisagem toda da vida. E, das formas mais variadas, participar. Boa semana pra todos.  

 

OS CANTOS DO JAPY

 

Sinto arrepios quando usam o termo “rio Jundiaí”, uma tradução completamente equivocada. O motivo é que Jundiahy, nosso nome indígena de origem, já tem o significado tupi como rio dos jundiás.  É bastante simples notar que, como nos grandes filmes estrangeiros que chegam aos cinemas com títulos escalafobéticos, também criamos um nome incorreto para as águas do vale em que vivemos. Em uma visão intercultural o nome aportuguesado ficaria algo como “rio do rio dos jundiás” na cultura ancestral.

 

Parece bobagem em tempos de comida festefude, em tradução irônica do idioma anglosaxão. Mas não é no consumo em que estou pensando. O próprio significado de Jundiahy para toda a região de suas montanhas, colinas e vales deveria ser usado para as políticas regionais que estão em debate entre os governos das cidades do rio dos jundiás.

 

Da mesma maneira é preciso pensar no significado do Japy, outro nome indígena de origem que permaneceu sem nenhuma tradução. O Museu Histórico, nos tempos em que o escultor Mozart da Costa trabalhou com o historiador Geraldo Tomanik, obteve um pássaro empalhado conhecido por esse nome, mas de outro estado. Alguns estudos já apontaram seu significado para o mesmo “castelo de águas” usado pelo geógrafo Aziz Ab´Saber na justificativa do tombamento como patrimônio natural.

 

Quem já esteve em algum canto (físico) dessa área e sentiu o canto (musical) de algumas de suas 200 espécies de aves pode entender que o silêncio é uma condição ambiental para essa e outras maravilhas. Essa complexidade tão simples deve fazer parte do significado de Japy, deduzida pela origem indígena, pelos pesquisadores da ciência e pelos amantes da natureza.   

 

Estou me arriscando além do que permitem a sociologia e a antropologia. Mas o fato sensível é que não podemos endossar a proposta de um parque estadual, lançada pelo  Instituto Serra do Japi com apoio de parte do governo local, sem condicionar a defesa desse patrimônio semântico ao congelamento completo de qualquer ampliação futura no aeroporto. Qualquer pessoa pode sentir hoje a agressão sonora dos aviões nessa área onde os sons naturais precisam ser preservados.

 

Em vez de apenas estatizar o fruto das lutas ancestrais da comunidade, é preciso apoiar pequenos empreendimentos sustentáveis na serra e no entorno, colocar biólogos ao lado dos técnicos em piscicultura nos pesqueiros que amam seu lugar, descobrir se essa história de pimenta orgânica no assentamento familiar é verdadeira, reformar as placas de orientação nas cachoeiras de rituais afrobrasileiros e instalar postos de orientação e não de isolamento nas entradas da área nos quatro municípios. Será preciso avançar além dos preconceitos brancos e urbanos para resgatarmos a beleza e o sentido original de palavras indígenas como Jundiahy e Japy.

 

A  BOLA NO RIO

 

José Arnaldo de Oliveira

www.jundiahy.com.br

 

Praticamente todos os nossos centros esportivos públicos continuam tendo, em sua maioria, os campos de várzea. Nesse tipo de meio ambiente existe a possibilidade natural da bola fazer uma parábola errada e cair no rio. Contar com os gandulas externos é uma tradição dos tempos do equipamento improvisado no bambu. Logo, não entendo como não ocorrem encontros entre a Liga Jundiaiense de Futebol e as secretarias municipais de Cultura e de Meio Ambiente...

 

Sem contar a eliminação radical da mata ciliar, tirando o metro de largura que um tipo de código ambiental urbano de Jundiaí ainda deixava, vai impedir completamente essa possibilidade em um bom trecho abaixo do ponto onde o rio  dos jundiás recebe o afluente córrego do Mato.

 

Meu olhar é de um cidadão nascido na Barreira, região do centro interfluvial onde o futebol começou  na região com a influência dos ingleses e a adesão dos afrobrasileiros libertos do regime escravo pelos contratos da construção das ferrovias. O campo do Rio Branco, na várzea do entorno, brilha em minhas memórias de infância. E a bola no rio, agora, parece algo simbólico.

 

Um plano integrado de recuperação das várzeas, mesmo urbanizadas, talvez seja um ponto de vista necessário para os debates sobre um Plano de Desenvolvimento Integrado Regional com lançamento previsto para 07 de agosto com os prefeitos de Cabreúva, Cajamar, Campo Limpo, Jarinu, Jundiaí, Itatiba, Itupeva, Louveira, Morungaba e Várzea Paulista.

 

De acordo com as notas divulgadas pela Agência de Desenvolvimento de Jundiaí, que toca o processo em parceria com a unidade local do Sebrae, é necessária a “participação popular”. Como são quatro eixos (cidadania, meio ambiente, integração regional e desenvolvimento econômico) me parece que os grupos culturais, ambientais, de moradores, sindicais, estudantis e outros podem aproveitar o momento para gerar boas idéias.

 

A questão, como no caso da Ação Consorciada da Serra do Japi (onde governos de alguns dos mesmos municípios juntam-se ao de Pirapora do Bom Jesus), é como será a participação no cenário de diversidade regional, econômica e política desse território, um enclave interiorano no centro da metrópole paulistano-campineira. Os mais empolgados no debate são, além dos políticos (e os caronas de fora), os empresários e os profissionais liberais. Por isso é preciso qualificar a participação dos cidadãos e cidadãs.

 

As telas de LCD nos ônibus e todos os equipamentos de registro audiovisual para produzir informações nos mesmos, por exemplo, são parte da estrutura mantida em Jundiaí em uma bolsa-governo de 950 reais mensais - orçamento de 1 bilhão de reais por famílias de quatro pessoas na ordem de 350 mil habitantes. Mais e melhor comunicação nisso. E talvez projetos integrados de cultura com editais, evitando que a produção dependa do voluntarismo deste ou daquele dirigente local ou regional que não tenha tempo de ver a bola no rio.

 

 

O ambiente inteiro

 

Como diria o titã Arnaldo Antunes: até bactéria no meio é cultura. Não vamos falar de meio ambiente, vamos falar do ambiente inteiro. Enquanto apenas na metade existe o consenso da beleza da água, da árvore, do vento, do bicho. Ou da serra, da praça, do monumento, da etnia, da acessibilidade. A coisa pega quando chegamos nas providências para manter tudo que nos parece essencial, pois cada olho percebe o mundo de acordo com seu ponto de vista.

 

O debate ambiental é um debate político. Há poucos dias, por exemplo, foi atualizada a lei do Conselho Estadual do Meio Ambiente. Uma pequena emenda que atribuía a criação de comitês temáticos ou câmaras regionais nas bacias hídricas para um sexto do conselho foi rejeitada, ficando a iniciativa nas mãos da respectiva secretaria do governo. O deputado jundiaiense Pedro Bigardi, que defendeu a emenda com as bancadas do PCdoB e do PT, afirma que isso denota “a tendência centralizadora do PSDB”.

 

Na esfera federal é a mesma coisa. A secretaria de meio ambiente do PT, marcada pelas bases amazônicas da senadora Marina Silva, divulgou nota criticando o governo Lula pela ameaça de retrocessos como a redução do percentual das compensações ambientais, pela liberação do licenciamento em rodovias e pela possível mudança no Código Florestal – que em Santa Catarina já reduziu margens de matas ciliares de 50 para apenas 5 metros de largura. “O partido e seu governo não podem passar para a história como os coveiros do desenvolvimento sustentável e nem dos avanços da governança ambiental do país”.

 

A mídia também foi tomada por campanhas dos grandes fazendeiros atacando as leis ambientais. Com a urgência das mudanças do clima e a mercantilização de commodities futuras (como a água) o tema marginal de vinte anos atrás vai se tornando central. Isso não impede que avanços como o plantio de milhares de árvores em Várzea ou a inédita ação consorciada das cidades da serra, durante a Eco Jundiaí nesta semana, aconteçam lideradas seja por PSDB, por PT ou outros partidos. O fato é que os cidadãos e cidadãs da comunidade devem pensar cada vez mais globalmente enquanto agem de forma local ou individual.

 

Um momento bacana é o debate da noite de quarta, na Câmara, sobre a idéia dos estudos de impacto de vizinhança (EIV) para projetos públicos e privados. Estão previstos representantes do Conselho Municipal de Meio Ambiente, da Secretaria Municipal de Planejamento e da Agenda 21 de São Paulo. Na mesma casa que rejeitou o veto do prefeito Miguel Haddad e manteve o desconto de IPTU para quem mantem árvore na sua calçada em 2010.

 

Para quem gosta do assunto, vale ver ainda ainda a proposta dos espanhóis do Eccologistas em Acción (www.adital.com.br/Site/noticia.asp?lang=ES&cod=38924) ou a pesquisa que vai ser iniciada na capital para a criação dos Indicadores de Referência de Bem Estar no Município (www.nossasaopaulo.org.br). Parodiando um velho ditado, o ambiente é um assunto muito importante para ser deixado só nas mãos dos partidos. Viva Jundiahy.

Segunda-feira, 04 de maio de 2009
Intervenção pública

Jundiahy é como eu chamo a área interfluvial entre os rios Jundiaí, Guapeva e do Mato, com uma grande colina no meio. É o centro histórico ampliado. Não sei o que nossos governantes e legisladores pensam, mas ando fascinado por um plano cicloviário em nossa cidade. Até por uma questão de segurança pública, como em Bogotá, mas também pelo valor do patrimônio envolvido.

Uma ciclovia que passe pela calçadão da rua Barão de Jundiaí, desça o escadão pelas curvas de nível, margeie o rio Guapeva onde sua várzea ainda tem mata e história.

E que depois ocupe uma faixa lateral da antiga ferrovia da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, a partir do viaduto São João Batista.

Isso permitiria a ligação direta com o SESC e o Jardim Botânico, de onde a ciclovia poderia bifurcar-se para o Parque da Cidade ou para a avenida Nove de Julho – esta, no córrego do Mato.

A vantagem desse plano é a existência de instituições como o Centro Paula Souza (Fatec), o Museu Ferroviário, a Associação dos Skatistas, o Museu Histórico (Solar), a Faculdade Pitágoras, o Complexo Argos, o Mercadão da Cidade, o Centro Esportivo Sororoca, a Associação de Preservação da Memória Ferroviária, o Museu da Energia, Os Monitores das Serra e outras no caminho.

A maior vantagem, entretanto, está em que uma ciclovia é uma obra barata e sustentável. Se o acordo entre a prefeitura e as empresas de logística (como são MRV e ALL) não for definitivo, o custo vale mesmo para alguns anos.

É difícil pensar como um projeto público pode ser mais democrático, mas imagino que as famílias que ocupam casas da antiga ferrovia deveriam permanecer. Afinal, o ambiente não pode ser definido apenas por proprietários de terrenos especulativos.

Estamos equivocados ao tratar como patrimônio somente o museu ou as oficinas ferroviárias. Trata-se de toda a sua extensão, pelo menos entre os rios Guapeva e Jundiaí.

Estou convicto de que muitos turistas do trem gostariam da opção de alugar uma bicicleta para mergulhar na história da Paulista, verem dormentes do tempo do Horto Florestal, visitarem o museu e até o Jardim Botânico.

Será que chegaram a conhecer o 360 graus do Pardal? Com todo respeito ao currículo do secretariado da prefeitura, esse assunto mereceria um concurso de projetos para ser um modelo. Seria por meio de edital, que poderia ser financiado pelas compensações ambientais do município (vejam como no site da Rede Brasileira de Fundos Socioambientais) ou fundos externos de modernização urbana.

Os túneis previstos para a região, imagino, não interferem no potencial da ciclovia.

Essa idéia, de espírito comunitário e que exige apenas boa vontade de trabalhar, resultou de inquietações sobre assuntos como segurança e patrimônio (públicos, obviamente). Neste mês o time de futebol que surgiu da ferrovia completa 100 anos, como já aconteceu com o Grêmio CP e com o Gabinete de Leitura. Ah, tem outra bicicletada prevista para o final da tarde do dia 29.

 

Segunda feira, 27 de abril de 2009

Ouro Azul

 

Não vou falar dos efeitos politico-partidários das sentenças do TRE. Gasosas são as certezas nesse setor. Tampouco quero buscar um tema sólido como o concreto dos novos condomínios que um dia talvez sejam avaliados em seus impactos de vizinhança. Hoje meu assunto é líquido.

 

Pois um dia a água poderá ser um líquido tão valioso como a era do petróleo. Dizem que existem empresas na região exportando água para países árabes. Mas a verdade é que o DAE S/A (no masculino, por teimosia) se prepara para o futuro. Qual? Esse extraordinário patrimônio de Jundiaí, construído ao longo de gerações com larga visão de futuro, teve essa perspectiva na mudança de autarquia para empresa mista em 2000.

 

Em silêncio, a empresa conseguiu garantir a outorga mais preciosa a longo prazo que é dos riachos que chegam da Serra do Japi. O valor dessa atitude é incalculável, mas não apenas monetariamente. Se pagamos ao conselho da bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) pela captação de reforço no rio Atibaia é razoável pensar que um dia outras bacias do rio Tietê pagarão aos municípios da serra pelas doses de águas puras que combatem os estragos da metrópole naqueles lados.

 

Do lado de cá da serra, córregos como das Walquírias trazem doses de água limpa ao devastado rio Jundiaí e mereceriam mais respeito. Sim, temos um sistema que trata águas na entrada (ETA) e na saíde (ETE). Mas o futuro será garantido não apenas pela represa ampliada, mas pela redução de quase metade da água perdida na estrutura do sistema.

 

Com mais de 90% das ações na Prefeitura e um pouco nas mãos de ex-secretários (simbolicamente, ao que me parece) a empresa que fechou pesqueiros na microbacia do rio Jundiaí-Mirim ainda hesita em apoiar a inclusão da “manutenção da biodiversidade” entre as funções dos cursos de água, como aparentou em um debate do Conselho de Defesa do Meio Ambiente (Condema) sobre o plano municipal de recursos hídricos.

 

O saudoso tempo das bicas na Abolição, na Vila Rica ou na Malota, entre outras, já passou. As leis nacionais e as novas taxas vão formando outro cenário. No negócio da água, onde os vereadores elevaram preços na última legislatura, o papel do DAE S/A vai precisar cada vez mais de uma visão ecossistêmica onde população, mercado e meio ambiente encontrem seu ponto de equilíbrio.

 

P.S. – Sobre a relação entre águas e história, Roberto Franco Bueno tratou de forma brilhante neste mesmo espaço em 22/04. Lembro apenas de me perguntar no futuro sobre quantos jundiás vivem hoje na represa...

Segunda-feira, 20 de abril de 2009

Inconfidência

 

arnaldo@jundiahy.com.br

 

O feriadão de abril nos envolve em datas como de nossos ancestrais povos indígenas (19) da terra conquistada pelos portugueses (22) até que a nação mestiça se revoltou (21) e tudo isso nos levando a pensar no planeta (22). Pois não é que vi a ex-ministra Marina Silva, na sexta, falando que uma estranha reação contra as preocupações ambientais está surgindo em setores retrógrados de todos os partidos? Não chega a surpreender diante da lama em que chafurda a política nacional, mas é alarmante.

 

Mesmo no entorno da Serra do Japi um milionário empreendimento comercial, de fortes grupos nacionais e locais, é anunciado sem estudos de impacto ambiental ou de impacto de vizinhança. Não duvido da seriedade das empresas, mas o simples gargalo no trânsito mereceria esclarecer os planos e custos das futuras obras nessa área e, sobretudo, se o patrocínio vai ser dos recursos públicos de nossos impostos.  

 

A incrível mudança de atitude dos vereadores foi justificada pela promessa de revisão do Plano Diretor. Não duvido da seriedade das pessoas, mas o secretário de planejamento já cometeu um monumento às caravelas no centro e o diretor de meio ambiente já cometeu loteamento na serra. Erros acontecem, mas Jundiaí não cultiva o contraditório. O Conselho do Meio Ambiente defendeu o córrego das Walquírias mas está sendo concretado. O Conselho do Patrimônio criticou o poupatempo nas oficinas da Paulista mas ele está sendo instalado.

 

Motivos para conflitos não faltarão nunca. Na Chácara Urbana, empreiteiros querem derrubar árvores centenárias. No Jardim São Camilo, a área da futura escola devastou a matinha até descobrir uma ocupação irregular em parte do terreno.

 

Precisamos atualizar nossa maneira de fazer as coisas. Para comparação, o Pacto Mata Atlântica (pode buscar assim na rede) mostra que recuperar florestas como elas existem na forma madura é um erro, que levou ao raciocínio linear de primário-secundário-terciário. As comunidades vegetais nos ensinam que só podem ser compreendidas ponderando todo o ciclo de vida de suas espécies e pensando nos três níveis da biodiversidade que são os genes, as espécies e os ecossistemas. Lá está bem explicado.

 

Por analogia, é possível imaginar que a maioria dos cidadãos e cidadãs nem saibam o que seja o Plano Diretor (ecossistema) mas sentem as contradições entre desejos pessoais e vida comunitária (espécies) e os ideais de um ambiente bom para se viver (genes). O equilíbrio entre tudo isso está em uma dinâmica, a meu ver, mais participativa e que aproveite as boas idéias de todo mundo.

 

Uma lição disso aconteceu no anoitecer de sexta com a primeira bicicletada da cidade. A manifestação pelo respeito aos ciclistas e por uma mobilidade urbana mais limpa para a natureza teve automóveis parando para dar passagem, sinais de apoio dos motoristas e um astral maravilhoso como a cidadania deveria sempre ter.

Segunda-feira, 13 de abril de 2009
Jundiaí precisa voltar aos trilhos

Muita gente nem sabe que nossa cidade possui uma estação central, ali embaixo do viaduto São João Batista, praticamente abandonada. Muita gente também não sabe que a locomotiva a vapor e o vagão usado pelo príncipe Dom Pedro II estão igualmente abandonados – e ainda pior, sendo criminosamente desmontados. Enquanto o feriado acelera as obras do terminal de serviços públicos chamado Poupatempo, as oficinas da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, marco brasileiro e internacional do século 19, estão gritando para recuperarmos o tempo.

A insegurança urbana nos deixou reativos. Primeiro foram os bancos anti-mendigos nas praças, depois algumas das próprias praças perderam os bancos e foram cercadas como lugares privados. No caso das oficinas da Paulista o reflexo está em um “fatiamento”: um pedaço para a Guarda Municipal, outro para a Secretaria de Transportes, outro para a Faculdade de Tecnologia e o Museu e outro para a Fumas e o Centro de Lazer da Melhor Idade. Cada pedaço com uma entrada por fora, quebrando a circulação histórica. E ainda com supostos despejos de famílias ferroviárias na antiga estação.

Sei que o governo atual pretende buscar saídas para o legado ferroviário. Mas não é de surpreender que o comentado projeto do trem-bala entre São Paulo e Rio tenha esquecido do papel histórico de Jundiaí nas ferrovias brasileiras. A própria cidade ainda precisa transformar esse legado em valor perene.

No dia 30 de abril é comemorado o Dia do Ferroviário. Vai ser uma época para lembramos de canções como “Trem Caipira”, de Heitor Villa-Lobos, “Trem das Sete”, de Raul Seixas ou “Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa. Como é dia útil, talvez possamos visitar o pátio principal na manhã do sábado, 25. Tentei descobrir por quatro vezes, uma pessoalmente e três por telefone, se haveria algum evento comemorativo, mas a gestora do museu, que me informaram ser a professora Karen Bizarro, não estava no local.

Tenho certeza de que o governo municipal está ciente de que não podemos perder algo tão essencial da vida da cidade. O prefeito Miguel Haddad é o mesmo que, em 2001, desapropriou parte da área durante a 1ª Mostra de Projetos Ambientais e Protagonismo Juventil das Escolas Estaduais, onde dezenas de entidades chamavam a atenção para o tema.

O projeto do Poupatempo, que não chegou a empolgar o Conselho Municipal de Cultura, está decidido e pode criar um novo fluxo de pessoas para o local. Talvez seja possível reverter o “golpe automobilístico” que acabou com a ciclovia dos domingos na avenida dos Ferroviários e criar-se um caminho ligando, digamos, a Estação Central ao Centro Esportivo José Brenna (Sororoca). Não podemos poupar o tempo de aproveitarmos a memória dos ex-ferroviários, de colocar o urbanismo e a cultura na valorização do patrimônio histórico ou de compartilhar sonhos como de ir do Sororoca até a Câmara Municipal em uma ciclovia, ouvindo o apito do trem...

Registros de família Travalim...

 

11/11/2008 17:38:52

Bairro Limpo, Cidadão Saudável é lançado no Jardim São Camilo

Bairro Limpo, Cidadão Saudável” foi o projeto desenvolvido no Jardim São Camilo, numa iniciativa de diversas secretarias municipais, como a de Integração Social (Semis), de Serviços Públicos e de Saúde, Fundação Municipal de Ação Social (Fumas) e Defesa Civil. O objetivo foi promover o envolvimento de toda a comunidade num grande processo de melhoria da estrutura sanitária do local. Para isso, foram realizadas diversas atividades, tanto teóricas como práticas e uma delas foi um concurso de redação entre alunos das escolas da região. A premiação foi realizada na manhã do último sábado (29), quando os nove alunos que se destacaram receberam medalhas e presentes.

 

 

E.E. MARIA JOSÉ MAIA DE TOLEDO

 

PROJETO: GERENCIAMENTO INTEGRADO DO LIXO URBANO

 

PROFESSORAS RESPONSÁVEIS   / OFICINAS CURRICULARES:

Katia de Barros      - Saúde e Qualidade de Vida

Liane Travalin Sperandio    - Informática Educacional

 

SÉRIES: 5ª e 6ª Séries. 

 

JUSTIFICATIVA:

 

Esse projeto foi motivado por meio de um convite realizado pelo CRAS à EE Profa. Maria José Maia de Toledo (Centro de Referência de Assistência Social do Jardim São Camilo), para participar de uma reunião sobre problemas no bairro, tendo como foco principal o lixo urbano. Dessa forma, a referida escola teria a função de mediar os objetivos a serem alcançados pela entidade.

 

OBJETIVO:

 

Fazer com que os alunos entendam as formas de tratamento do lixo urbano e saibam como proceder para adotar boas práticas de encaminhamento/reciclagem do mesmo.

 

DURAÇÃO

 

 

ESTRATÉGIAS DE TRABALHO

 

A divisão das atividades por série ficou esquematizada da seguinte maneira:

5ªA e 6ªA: O que podemos fazer com o lixo? / 5ªB e 6ª B: Quais cuidados devemos ter com o lixo? /  6ªC: Para onde vai o lixo?

 

  1. SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA

 

 

  1. INFORMÁTICA EDUCACIONAL

 

 

AVALIAÇÃO

 

     Os trabalhos foram avaliados mediante a participação, empenho e organização dos alunos no decorrer do desenvolvimento dos mesmos.

Registros de família Travalim...

 

10/8/2006

UMA DOCE MELODIA
Conjuntode flautistas se apresenta hoje, a partir das 19h, no Museu Solar do Barão, na abertura da mostra fotográfica Itáu BBA

Claudia Rangel
Agência BOM DIA

Os fãs de uma sonoridade pura, com timbres musicais que datam dos tempos antigos, terão a oportunidade de conferir a audição do conjunto de flautas Aeolus, hoje, às 19h, no Museu Solar do Barão, na abertura da mostra fotográfica “A Flor da Paisagem”, do Itaú BBA. A audição é para convidados.

O programa destaca peças do período da Renascença, como “Dança de Baile de Máscaras” (John Adson) e “Jesu Meine Freud”, uma adaptação da obra do compositor Johann Sebastian Bach para conjunto de flautas. O repertório ainda inclui releituras de canções populares, como “Minha Terra tem Palmeiras”, baseada na obra de Gonçalves Dias.

Por sí só, um conjunto de flautas já desperta curiosidade por fugir do lugar comum. O grupo é formado por oito instrumentistas, todos ex-alunos do professor Marco Antônio de Almeida Cunha, 46 anos, criador do Aeolus.

Em suas apresentações, o grupo executa uma família de flautas: são variações de afinação, como soprano, tenor, baixo e contralto, que, juntas, promovem sonoridades peculiares para obras consagradas.

Na avaliação de Marco Antônio (flauta baixo) a flauta doce é pouco difundida no Brasil, diferente da transversal, mais popular.

“As pessoas a conhecem mais como instrumento de iniciação musical de crianças, mas ela não se resume a esse papel”, justifica.

Prática
A iniciativa de montar o grupo partiu do professor há cerca de dez anos. A idéia era colocar em prática o aprendizado em grupo, além de aprimorar a qualidade do repertório.

Conjunto de Flautas Aeolos
Quando: hoje, às 19h
Onde: Museu Solar do Barão (rua Barão de Jundiaí, 762)

Talento de Marco vem de família
Não é por acaso que o professor Marco Antônio de Almeida Cunha é líder natural no grupo. Experiência é o que não lhe falta. Além de dar aulas de flauta doce há 17 anos, ele toca transversal desde a infância.

Herdou o talento do pai e do avô, que também executavam o instrumento.

O estudo também é uma constante em sua carreira de instrumentista. Marco Antônio também ministra aulas de história da música.

“Como gosto dos gêneros antigos, sei que é necessário aprimorar os estudos para conhecer a estrutura de uma peça musical”, justifica ele, que se formou no curso de Música da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas), em São Paulo.

Origem
A origem da flauta doce está nos antigos instrumentos folclóricos, que ainda hoje podem ser encontrados em diversas partes da Europa. Muitos deles eram feitos de tubos de bambu ou cana naturais, enquanto a flauta doce era um instrumento torneado em madeira.

A história do instrumento está ligada à origem do seu nome em inglês: “recorder”, que vem do latim “recordari”, que significa lembrar, trazer à memória. Em italiano, a palavra “ricordo” também significa lembrança.

Irmãos se encantam pela música
Três irmãos. Três histórias de vida unidas pelos caminhos da música. Pode-se dizer que Sâmela Campos, 18 anos, Adilson Gonçalves de Campos Júnior, 17, e Natanael Campos, 15, se identificaram juntos com a sonoridade da flauta.

Sâmela tinha sete anos quando ela e os irmãos começaram a ter contato com o instrumento. “Paramos um tempo para fazer um curso de teclado, e há três anos conhecemos o Marco Antônio. Nos aproximamos da faluta e não paramos mais”, conta.

O trio ensaia em casa, mas raramente se encontra para tocar junto, já que cada um deles estuda em horário diferente. Conciliar música, estudos e diversão não é tarefa fácil. Mas os irmãos não ligam.

“Para nós, a música não é uma coisa separada, ela faz parte de nossas vidas.”

No Aeolus, os mais experientes também dividem espaço com os que começam a dar seus primeiros sopros. É o caso da estudante Isabel Travalim, de 10 anos.

Ela faz curso de flauta há um ano, também em companhia de seus outros dois irmãos, Gabriel, 13, e Débora, 8.

“A flauta é um instrumento muito bom de tocar”, diz a pequena musicista, que desde cedo aprecia obras de compositores como Vivaldi.

Para a mãe do trio, Sônia Travalim Medeiros, 46, a música melhora a concentração e faz com que seus filhos fiquem mais atentos.

O professor Marco Antônio, segundo ela, foi fundamental nesse processo de aprendizagem.

“Além de tocar, os instrumentistas aprendem a ler e a entender uma nota musical”, garante.
Segunda-feira, 06 de abril de 2009

 

A saída verde

Ó, pessoal... Parece que o mundo vai entendendo que a crise financeira e a crise climática podem ser enfrentadas também com uma economia mais sustentável.

Eu já comentei em outra coluna sobre a lei dos empregos verdes, nos Estados Unidos, e agora surgiram diversas menções ao tema no encontro dos países mais industrializados do mundo em Londres, o G20.

Por esses motivos também fiquei contente pelas reuniões nas quais a Prefeitura de Jundiaí defendeu a inclusão, nos cursos da Fatec, da gestão ambiental (e citando um futuro Parque Estadual da Serra do Japi como argumento).

Em um contato informal na Comissão Municipal de Emprego, em março, eu sugeri uma pesquisa com os trabalhadores, o empresariado, as ONGs e os setores públicos sobre as demandas e oportunidades para os empregos verdes em nossa cidade, mas a idéia pode servir em escala regional. De nossos postes de rua, que não desperdiçam poluição luminosa para cima, até nosso saneamento básico, que foi até agora uma referência, há muito a ser feito.

A revitalização do São Camilo, por exemplo, poderia capacitar e inovar com gente do bairro.

Tive uma experiência como professor na região e a maioria dos estudantes ignora que aquilo é o vale de um córrego, indicando que deve ser recuperado onde for possível (e não tampado, como pensam alguns engenheiros).

Reflorestar morros também é uma ação tanto preventiva como social.

Mostra
Somos a terra onde lutas e iniciativas autônomas criaram a Previdência, como mostra até dia 13 a exposição Fratellanza (em cartaz no Museu Solar do Barão, com curadoria de João Borin).

A participação é positiva, e nesse sentido discordo de algumas pessoas  quando dizem que o estudo de impacto de vizinhança em debate na Câmara não é urgente.

Acho que está é muito atrasado na cidade, sem que essa opinião me rotule como petista, assim como imagino que a sua não representa o tucanato.

Afinal, uma economia verde também cuida do ambiente urbano e, na minha opinião, isso talvez não permitisse a troca de locais como A Paulicéia por coisas agressivas como um magazine.

De qualquer forma, é muito bom saber que a visão dos cidadãos comuns pode ajudar a cidade, como é o caso do desconto de IPTU por árvores nas calçadas comentado aqui e em estudo para proposta do vereador Julião de Oliveira. Espero que também o prefeito possa levar e ouvir boas idéias no encontro com o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente, no dia 8.

Há não muito tempo a colunista de gastronomia Nina Horta escreveu, na “Folha”, que fez uma viagem pelo interior brasileiro até o Acre para conhecer o trabalho das merendeiras. E o primeiro lugar que citou foi Jundiaí, cantada anteriormente por Marisa Monte. O segredo para um bom trabalho não era o tipo de panela ou de fogão, mas “o amorrrr” com sotaque e tudo.
É isso.

A Traseira da Câmara

 

Nem do plenário, perpendicular, nem da vereança, pessoal. Mas é na traseira do prédio principal onde está uma escolha fundamental do centro hidrogeográfico de Jundiaí. Lá embaixo, onde o rio Guapeva margeia as ruazinhas sem garagem da Vila Argos Nova, sua vista parece um castelo. Talvez se o poder público não tratar o rio e as matas ciliares como um Godzilla enlouquecido possamos ter uma ciclovia e uma passagem de pedestres e cadeirantes desde a rua Barão, descendo nas curvas de nível da Esplanada do Monte Castelo e descendo pela beira do riacho. Isso se os terrenos ribeirinhos ainda vazios, com placas de exclusividade para a corretora de um ex-secretário, não forem devastados. O futuro de nossa relação com os rios centrais está, dessa forma figurada, sendo decidido na traseira da Câmara.

          

                                                            *****

 

A provocação é mais por esperança do que por ceticismo na nova legislatura. Mas será que alguém sabe se os seiscentos litros de herbicida à base de glifosato para uso urbano do convite 200.902.159 da Prefeitura são transgênicos ou isso não importa? 

 

                                                             *****

 

É que “la luna/della mia via/varia/ma la fonte/del mio paese/spilla acqua nascente” como diz a versão do Inos no livro bilíngue de poemas Limão, da Sônia Cintra. É a dica para o outono e pode ser encontrado na Nobel da margem do córrego do Mato, outra marca do centro hidrogeográfico. Foi lançado na mesma margem, porém no Boteco Birra. Leitura imperdível da In House.

 

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Aliás, o ex-prefeito Ary Fossen lembrou (de visual novo) que orientou a revisão do projeto do córrego aos primeiros sinais de alerta e não admite dúvidas sobre seu compromisso com a Serra do Japi. E disse que Perus também conta com boas idéias.

 

                                                              *****

 

E a ponte entre cultura e meio ambiente aconteceu no dia do teatro e do circo, no sábado, onde o ator e diretor Zé Renato Former propôs o desligamento das luzes do Centro das Artes junto com a “hora do planeta” global.

 

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Aliás, o livro da Fundação Cintra Gordinho e mais a qualidade das “Noivas de Nelson” da Companhia Paulista (apoiada pela Lei Rouanet) e do catálogo “Peixes dos Riachos da Serra” da Associação Mata Ciliar (apoiada pela Petrobras Ambiental) são casos dos avanços do profissionalismo local.

 

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Falando nisso, soube que a TV Educativa tenta liberar um sinal aberto no Ministério das Comunicações – pois é um escândalo usar cerca de 2 milhões anuais do dinheiro da educação para uma emissora que as pessoas precisam pagar para assistir. Mas com sua direção indicada diretamente pelo prefeito fica a questão: é uma emissora pública ou estatal? Assuntos que justificam uma conferência nacional de comunicação.

 

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E viva o pôr do sol de Jundiaí. Sempre.

Segunda-feira, 23 de março de 2009

 

A água no coração da cidade

Foi a natureza que orientou nosso centro histórico por mais de trezentos anos. Olho, como numa imagem de satélite, a margem esquerda do rio Jundiaí até o córrego do Mato de um lado e o rio Guapeva de outro – ligando estes mais ou menos pela rua Atílio Vianelo. Desde perto de 1600 até 1968, quando o planejamento municipal passou a transformar rios em avenidas.

Havia uma relação de uso, de lazer ou de pesca com esses rios e com os riachos soterrados, com as águas vindas dos sistemas das serras do Japi, dos Cristais e da Cantareira que fazem parte da identidade local. Seus limites estão na Barreira, na Bela Vista, na Ponte de Campinas, na Vila Graff, na Chácara Urbana e na Esplanada do Monte Castelo.

É preciso tratar isso como uma zona de atenção especial onde podemos estimar trinta praças, quatro centros esportivos, cinco clubes, três teatros, quatro museus, dez pontos de música ao vivo, um cineclube, quatro grupos carnavalescos, dois centros culturais, tantos outros de boa alimentação, dezenas de associações, centenas de lojas e milhares de moradores.

 

                                                          ***

Sonho com um ônibus onde os pontos tenham nomes que pessoas possam usar, anunciados na tela por GPS entre dicas bacanas da cidade. Movidos a biocombustíveis. Com bicicletários seguros nos terminais e talvez com linhas expressas entre eles, de cores diferenciadas. Essa é minha sugestão.

 

                                                           ***

Estimo em mais de 600 as entidades sem fins lucrativos de Jundiaí, mas interessa também para empresas com responsabilidade social e políticas públicas de qualidade. Deve sair no próximo ano a norma ISO 26000 sobre esse assunto. O debate do Grupo de Articulação das ONGs Brasileiras (GAO) apontou como pontos essenciais o compromisso ético com o meio ambiente e a sociedade,  a promoção da cidadania global e da democracia, a valorização da cooperação social e da solidariedade e a valorização da autonomia da sociedade civil. E ainda a participação efetiva das “partes interessadas” (stakeholders), a inclusão de toda esfera de influência da organização e a valorização da absoluta transparência nos programas e projetos.

De um pequeno grupo social até uma grande fundação ou programa de governo, o tema coloca a busca da melhoria das ações pela troca de boas práticas e de “ferramentas” para conseguir realizar boas idéias. Afinal, algo comum pode tanto indicar relevância como requisitos fracos em inovação. Um seminário sobre isso ocorreu no começo do mês no auditório da ABNT, no Rio de Janeiro, para encaminhar os votos brasileiros (onde já temos a norma NBR 16001). Dá o que pensar neste outono que começa.

Segunda-feira, 16 de março de 2009

 

Bichos Escrotos

Quem esteve em Blumenau (SC) nos anos 80 surpreendeu-se com os carros estacionados de porta aberta e chave no contato. Da mesma forma, quem esteve em Barcelos (AM) nos anos 90 ficou impressionado com centenas de bicicletas deitadas sobre o gramado em frente à escola. Quem cresceu em Jundiaí (SP) com muros baixos também conheceu essa paz. A ameaça da violência é a retroalimentação de respostas também violentas. Um “apartheid” seria oposto aos nossos ideais de convivência, diversidade, espaços públicos, bom senso, tolerância e criatividade. Um artigo de Ricardo Neder na revista eletrônica “Comciência” afirma que as tecnologias que temos hoje devem ser orientadas por uma concepção de valores, que eu chamo de metadados.

Nossos representantes políticos, mesmo com salários confortáveis que pagamos, não podem pensar e decidir sozinhos. Em um gesto impulsivo na Quarta-feira de Cinzas mandei 15 temas para os vereadores locais nos correios eletrônicos informados pelo sítio da Câmara.

As respostas de quatro deles, resumidas pela jornalista Julianna Granjeia (veja na página 2), estimulam a ampliação do diálogo para muita gente que tem boas idéias. Até por isso apoio a campanha da ONG Voto Consciente pela volta das sessões noturnas.

A importância de uma educação para a paz, colocada pelo Julião, é uma idéia que honra  o veterano educador Anésio de Oliveira. O projeto de lei de estudos de impacto local nas obras públicas e privadas, do Orlato, é essencial.

E a defesa da arborização, da Ana, é ponto central também. Coincide com o pensamento de um especialista em informática, o Emerson, que acha que o IPTU deveria dar desconto para quem planta árvores na sua calçada.

No Fórum de Defesa do Rio Jundiaí, na sexta, aprendi com a arquiteta Laura Bueno que não adianta despoluir o rio principal e secar o lençol freático e as nascentes sem água permeando o solo (cimento, asfalto, concreto, etc.). Em Jundiaí temos um defensor do concreto intertravado no planejamento, o Jaderson. Mas em Campo Limpo temos uma conexão com novas tecnologias alemãs de piso permeável, na ONG Caminho Verde.

São 27 anos de lançamento do projeto de revitalização do rio pelo governo Montoro com as prefeituras, lembram? Parece que a Promotoria Pública determinou o replantio de 50 mil árvores em matas ciliares de Várzea Paulista e Campo Limpo Paulista, ponto mais que positivo. Aliás, no dia 21 tem a bandinha Estrambelhados, de São Luiz do Paraitinga, no aniversário varzeano e talvez a Sabesp comece a estação de tratamento de esgotos neste semestre.

O Fórum Caxambu promoveu um papo com o agrônomo Afonso Peche sobre a atualização do monitoramento da bacia do rio Jundiaí-Mirim e a criação de outro, para a bacia do rio Capivari. Se você não sabe em que microbacia ou córrego vive, trabalha ou estuda é porque ainda vivemos um equívoco coletivo.

Falando nisso, o título obviamente veio de “Titãs – A Vida Parece Uma Festa”,  exibido na manhã de ontem pelo Moviecom Arte. Existem até perigos nas águas puras, mas não bichos escrotos.  

 

CONSULTA A VEREADORES

As respostas editadas no dia 17 de março no jornal Bom Dia Jundiaí foram misturadas ao resumir 15 tópicos em 7 temas, incluindo algumas confusões. O Julião, por exemplo, não disse que o apoio a boas idéias era para a reciclagem – mas para as incubadoras de empresas. Enfim, a Juliana me ligou na sexta à noite mas disse que não tinha dúvidas e tal...

Não me interessa auto-promoção, mas os temas. E foram esses os mais prejudicados com a edição amadora do material. Olhem como estavam claros os temas.

 

ECONOMIA

Na vida econômica, a ampliação da experiência de incubadoras de empresas tem para Ana Tonelli (PMDB) que o custo atual de terrenos pode ser enfrentada por cooperativas de micro e pequenas empresas, que criam empregos. Durval Orlato  (PT) acha que a reciclagem deveria ser uma prioridade nesse setor, de resto apoiado por Júlio César de Oliveira (PSDB) para dar “suporte a boas idéias”.

 O turismo também tem potencial no campo econômico. Orlato diz que temos poucos atrativos, sendo preciso “incrementar as políticas públicas”. Julião acha que é preciso explorar melhor o Circuito das Frutas para a região, enquanto Ana cita a novidade do trem turístico e um estudo rigoroso para usos na Serra do Japi “para a população amar e preservar cada vez mais”.  

O tema de um “corredor verde” entre os parques do Jardim Botânico, da Cidade e do Corrupira tem o apoio de Julião, que participou de discussões sobre o chamado Projeto Santuário e acha que “tem perfil de turismo sustentável”. Nada diferente de Ana, que é totalmente favorável. E de Orlato, que reclama da falta de vontade política e pressão organizada da sociedade.

SEGURANÇA 

Sobre o tema da segurança pública, Julião  disse que na educação é preciso trabalhar a cultura da não-violência. Ana  defende o aumento de efetivos das polícias civil e militar e da guarda, com rondas em todos os bairros. E Orlato enfatiza a necessidade de sub-sedes para descentralizar o serviço de segurança, além do monitoramento das principais saídas e entradas da cidade.

CULTURA 

No tema da região central, Ana diz que a padronização das calçadas e fachadas poderia chegar até ruas como Marechal Deodoro e Zacarias de Góes pois “área central é cartão de visita”.Julião faz trocadilho dizendo que “o projeto Acerte o Centro acertou” e defende a ampliação do mesmo valorizando suas atrações culturais desde a Esplanada do Monte Castelo até o Largo São Bento E Orlato também ressalta que é preciso mais vida no centro depois do fim da tarde.

Ligado a esse, o tema da descentralização cultural nos bairros exige para Orlato um uso melhor dos centros comunitários e esportivos, com apoio e oficinas para iniciativas locais. Julião acha que isso está ligado com a melhoria dos equipamentos existentes (inclusive no centro) e Ana considera que a cidade tem valores culturais suficientes para mais circulação nos bairros.

Mas sobre editais para fundos culturais ou ambientais, como a lei de incentivo à cultura, os artistas precisam retomar a campanha do ano passado. Nenhum vereador tem muitas informações a respeito.

Um tema paralelo ficou na desapropriação do antigo quartel, pela vista da serra, e da antiga estação da Paulista, pelo valor histórico. Os três vereadores mostraram atenção ao assunto mas sem soluções prontas. Um outro tema, sobre o carnaval espontâneo da cidade, variou entre “apoio do poder público sem interferência”, para Julião, “agenda de eventos de apoio ao longo do ano”, para Ana, e “acompanhamento de cerveja e torresmo”, para Orlato.   

TRANSPORTE 

A melhoria do transporte público (como nas noites e nos finais de semana), como alternativa contra a poluição dos carros, é vista como prioridade de Julião no comando da comissão de transportes. Para Ana, é um tema necessário para evitar o caos no trânsito e para Orlato é um assunto que exige mais estudos para subsidiar o trabalho da Câmara.

A acessibilidade de todos (como as cadeiras de rodas) a toda a cidade foi lembrada por Orlato sobre seu projeto de lei complementar 853, deste ano. Para Julião, a cidade está no rumo certo e continua importante “não só pensar, mas agir”. E Ana concorda em que não existe nada mais triste do que “a impossibilidade de ir a um local por trabalho, negócios ou lazer”.           

CRESCIMENTO URBANO 

Sobre o estudo de impacto de vizinhança para novos empreendimentos, Orlato ressalta o projeto de lei complementar 854 que está em andamento na Câmara exigindo essa consulta aos cidadãos afetados. Julião destaca como fundamental a participação da sociedade em consultas, reuniões, visitas a vereadores... E Ana lembra que os grandes projetos vêm contando com audiências públicas na cidade.

Sobre o aumento das áreas verdes, Julião citou projetos seus como controle animal e proibição de uso de madeira ilegal para defender “uma conciliação de idéias e ações da sociedade como um todo”. Ana defende a arborização e cuidado nas praças e ruas e considera um desafio garantir a permeabilidade do solo.  E Orlato defende a melhora na fiscalização e o reestudo dos rumos do “vetor oeste” (no sentido Itupeva-Cabreúva).

SERVIÇOS AMBIENTAIS

Na questão do pagamento de serviços ambientais de proprietários rurais (água, biodiversidade, carbono), o vereador Mingo Fontebasso (PSDC) afirmou que a proteção aos mananciais deve ter apoio para o manejo adequado de esgotos com fossas ou coletores e também para reflorestamento das margens de córregos, incluindo árvores frutíferas para uso econômico. Orlato vai além e propõe um subsídio direto, “um crédito verde e hídrico”, como ocorre em Extrema. A idéia de incentivos tem ainda o apoio de Julião e de Ana.

CIDADANIA DIGITAL

No uso de ferramentas como blogs para contato com cidadãos, Ana disse que atende muitos contatos pelo computador. Orlato disse que está montando um desses e tem dois internautas que o acompanham pela campanha da ONG Voto Consciente. Também Julião considera uma boa alternativa e “em breve também estaremos na rede”.

 

Segunda-feira, 09 de março de 2009

 

Ó proceis!

Muitos de nós acharam um progresso abandonar a cultura caipira em Jundiaí. Um dos exemplos é o cumprimento cotidiano formado pela vogal “o” em pronúncia aberta, ainda encontrada em bairros antigos ou rurais da cidade.  Em troca, não veio nada – ou melhor, veio a indiferença com que muitas pessoas passam umas pelas outras. Um distanciamento que apenas torna as ruas mais impessoais e aumenta o espaço vazio onde germinam as sementes da insegurança pública.

É a crença nas cápsulas, isolando as pessoas nos carros e nos espaços privados. As praças perdendo o convívio (algumas até com grades). O apartheid na educação, na saúde, no transporte, na justiça, nos canais locais de TV. Uma crença que elege políticos que não andam de ônibus, que não coloca nomes nas paradas de ônibus, onde restaurantes, boates, museus, bares ou teatros não informam a mais próxima parada de ônibus.

A psicanalista Maria Rita Kehl afirma em artigo recente que. quando os filhos ocupam o topo dos valores dos pais, estes ficam sem mais nada a oferecer a eles. Algo a se pensar.

Por isso continuo me entusiasmando com as idéias novas como a bicicletada prevista para o final da tarde de 17 de abril...

Os pólos estão derretendo a olhos vistos e nossa comunidade continua priorizando carros individuais, emitindo carbono sobre córregos destruídos nas matas ciliares para suas avenidas. Uma classe alta carbonífera, uma classe baixa submissa e uma classe média omissa.

A dinâmica da cidade é tão importante para a segurança como a estrutura policial – sem falar no ambiente.

O “novo” secretário de Planejamento de Jundiaí disse na imprensa que pretende uma nova revisão do Plano Diretor. Mas considerando que ele projetou o monumento das caravelas na praça central (que eu acho horroroso) creio que existam motivos além de estéticos para mobilizar outros pontos de vista além de arquitetos e empreendedores.

Em um momento onde a corrupção do país ganha nacionalmente a face do PMDB com as críticas de Jarbas Vasconcelos é importante reforçar a construção coletiva na vida.

Nos bairros, escolas ou grupos pode ser praticada a “oficina do futuro”, bolada pelo Instituto Ecoar em 1992, onde sonhos escritos separadamente pelos participantes são reunidos numa árvore (geralmente com muitas coincidências) e depois os obstáculos passam por um processo parecido. Depois, é discutir ações práticas sobre isso.

Contra a ameaça da crença em cápsulas, tente resistir dizendo “ó” para os outros. Mas sorria quando não entenderem.

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Os tópicos que enviei para comentários dos representantes do povo na Câmara, na Quarta-feira de Cinzas, ficam para a próxima coluna porque diversos vereadores pediram mais tempo.

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